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CEBRASPE · 2025 · Fundação Inoversa Sul · Professor de Língua Portuguesa

Questão 82 – Raciocínio Lógico – CEBRASPE 2025 – Fundação Inoversa Sul (Professor de Língua Portuguesa)

Texto 1 de 2

Em uma teoria da compreensão de texto, o primeiro aspecto importante é a noção de língua que se adota. Alguns manuais escolares concebem a língua simplesmente como um código ou um sistema de sinais autônomo, totalmente transparente, sem história, e fora da realidade social dos falantes. Mas a língua é muito mais do que um sistema de estruturas fonológicas, sintáticas e lexicais. A rigor, a língua não é sequer uma estrutura; ela é estruturada simultaneamente em vários planos, seja o fonológico, sintático, semântico e cognitivo no processo de enunciação. A língua é um fenômeno cultural, histórico, social e cognitivo que varia ao longo do tempo e de acordo com os falantes: ela se manifesta no uso e é sensível ao uso.

Portanto, a língua é uma atividade constitutiva com a qual podemos construir sentidos; é uma forma cognitiva com a qual podemos expressar nossos sentimentos, ideias, ações e representar o mundo; é uma forma de ação pela qual podemos interagir com nossos semelhantes. Em consequência, a língua se manifesta nos processos discursivos, no nível da enunciação, concretizando-se nos usos textuais mais diversos. É importante não confundir a língua com o discurso.

Nessa perspectiva, a língua é mais do que um simples instrumento de comunicação; mais do que um código ou uma estrutura. Enquanto atividade, ela é indeterminada sob o ponto de vista semântico e sintático. Por isso, as significações e os sentidos textuais e discursivos não podem estar aprisionados no interior dos textos pelas estruturas linguísticas. A língua é opaca, não é totalmente transparente, podendo ser ambígua, polissêmica, de modo que os textos podem ter mais de um sentido, e o equívoco nas atividades discursivas é um fato comum.

Na realidade, um texto bem-sucedido é aquele que consegue dizer o suficiente para ser bem-entendido, supondo apenas aquilo que é possível esperar como sabido pelo ouvinte ou leitor. É interessante notar que, se o autor ou falante de um texto diz uma parte e supõe outra parte como de responsabilidade do leitor ou ouvinte, então a atividade de produção de sentidos (ou de compreensão de texto) é sempre uma atividade de coautoria. Isto quer dizer que os sentidos são parcialmente produzidos pelo texto e parcialmente completados pelo leitor.

Ao lado da noção de língua, é necessário ter uma noção de texto. A escola trata o texto como um produto acabado e que funciona como uma cesta natalina, de onde a gente tira coisas. O texto não é um produto nem um simples artefato pronto; ele é um processo. Assim, não sendo um produto acabado, objetivo, como uma espécie de depósito de informações, mas sendo um processo, o texto se acha em permanente elaboração e reelaboração ao longo de sua história e ao longo das diversas recepções pelos diversos leitores. Em suma, texto é uma proposta de sentido e ele se acha aberto a várias alternativas de compreensão.

Fonte: Luiz Antônio Marcuschi. Exercícios de compreensão ou copiação nos manuais de ensino de língua? Em Aberto, Brasília, ano 16, n.º 69, jan.-mar./1996 (com adaptações).

Texto 2 de 2

Como escreve Adriana Lisboa Como é o seu processo de escrita? Uma vez que você compilou notas suficientes, é difícil começar? Como você se move da pesquisa para a escrita? Adriana Lisboa: Não faço compilação de notas antes de começar a escrever, mas sim durante o processo. Só consigo pensar bem sobre um livro enquanto estou escrevendo esse livro; do contrário, ele se torna uma abstração. Não sei que problemas vou encontrar até arregaçar as mangas e efetivamente começar a trabalhar. A pesquisa vai se apresentando da mesma exata maneira: de acordo com as exigências que o texto vai fazendo. Claro, estou me referindo essencialmente à escrita de ficção e de poesia, mas o processo é semelhante mesmo quando escrevo ensaio. Preciso do pontapé inicial.

Quantas vezes você revisa seus textos antes de sentir que eles

estão prontos? Você mostra seus trabalhos para outras

pessoas antes de publicá-los?

Adriana Lisboa: Reviso os textos inúmeras vezes, praticamente

até as vésperas de serem publicados. Acho que um autor nunca

bate o martelo. Mesmo depois de publicado um livro, há algo que

pensamos que poderíamos (ou deveríamos) ter feito diferente. A

edição definitiva não existe; ela é só a decisão de parar em algum

momento do processo.

Internet: <comoeuescrevo.com> (com adaptações).

No que se refere às ideias veiculadas no texto anterior e à prática

de produção de textos nos anos finais do ensino fundamental,

julgue os itens que se seguem.

Ao afirmar que “A edição definitiva não existe”, a escritora constrói, por oposição, um reforço ao argumento apresentado anteriormente na segunda resposta.

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