Aula Fala de vendedor ambulante é signo em rotação. A gente lança no ar o que tem de ser dito e colhe — nem sempre — o fruto de algo vendido. Repetimos as falas aceitas para garantir a venda, mas o risco do improviso é o que há. Três por dois, duas por uma — essa sintaxe apraz. A gente lança no ar. Se der ritmo ganhamos a feira, se não, fazemos finta de baile.
Edimilson de Almeida Pereira. Aula. In: Poesia +: antologia 1984-2019.
São Paulo: Editora 34, 2019, p. 187 (com adaptações).
No poema, a aproximação entre as imagens do poeta e do vendedor ambulante é disparada primeiramente pelo uso da expressão