Ao “amigo do escravo” Cativo um povo, gemendo Da vergasta o açoite vil, Estende os braços convulsos Vertendo prantos a mil... Vós despertastes ao grito Da infeliz escravidão; Somos amigos, dissestes, Dos míseros que não têm pão. Quanta doçura, Deus grande, Quanta fé e quanto amor, Nesta esperança que brilha Do cativeiro no horror! Remir no mundo os escravos É curar de Cristo as chagas; Marchai! Que o suor da luta Vos doure a fronte em bagas. Quando um dia o sol brasíleo Surgir, mimoso de amor, Aquecendo as faces frias Do escravo ao seu calor. Estátuas de luz e vida, mil renascido à toa, Tentarão roubar seus raios Para tecer-vos uma croa! Ide, librai vossas asas Da fé no dorso possante! Acordai Deus, que aniquile A hidra negra, infamante.
Etelvina Amália de Siqueira. Ao “amigo do escravo”.
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