

Angelo Agostini. Revista Ilustrada, ano 5, n.º 222, 4/9/1880.
Internet: http://memoria.bn.br/pdf.
Na capa do periódico, aparece um político do Império,
Martinho Campos, montado sobre um negro, de quatro, como um
cavalo, tendo correntes presas aos seus pés, às suas mãos e uma
corrente no pescoço, que serve como rédea para o cavaleiro. Este
usa botas e chapéu, como um fazendeiro usaria, tem na mão
direita um chicote, e com a esquerda segura a corrente presa ao
pescoço do negro. As figuras encontram-se sobre um grande
pedestal onde se lê, logo abaixo das figuras, “Escravidão ou
Morte”. Observa-se, ainda, que há índios na base do pedestal,
sentados em uma posição desoladora, dois dos quais apoiam a
cabeça com uma das mãos, como se estivessem muito tristes, e o
índio da esquerda está com a cabeça baixa e os braços cruzados
na frente do corpo, em total isolamento. A figura que apresenta
mais energia e algum entusiasmo é a de Martinho Campos, que
aparece na mesma posição da Estátua equestre de D. Pedro I, a
qual pode ser observada ao fundo, apenas esboçada, o suficiente
para que o leitor possa lembrar e fazer a comparação. O
caricaturista propõe a aproximação do símbolo monarquista com
a escravidão e, para não deixar qualquer dúvida, escreveu,
conforme a grafia da época, o seguinte comentário, abaixo da
imagem: Projecto de uma estatua equestre para o illustre chefe
do partido liberal. Esta estatua deve fazer pendant com a de
Pedro I e será collocada no dia 7 de Setembro de 1881. À
iniciativa dos illustres fazendeiros de Cebolas é que devemos
mais esse monumento das nossas glorias.
Rosangela de Jesus Silva. Desconstruções e reconstruções do Brasil:
a caricatura e o monumento equestre a D. Pedro I. 19&20, v. VIII, n. 1, jan./jun. 2013.
Internet: <www.dezenovevinte.net> (com adaptações).


Transcrição da imagem, conforme a grafia da época:
— Queira perdoar, mas...com aquelle negrinho não pode entrar. — Mas é que eu não posso separar-me delle: é quem me veste, quem me dá de comer, quem... me serve em tudo, afinal! — É que... Enfim, em attenção às illustres qualidades pessoais de tão sabio soberano, creio que as nações civilizadas não duvidarão em admittil-o.
Angelo Agostini. Revista Ilustrada, ano 8, n.º 347, 30/6/1883.
In: Renato Lemos (org.). Uma história do Brasil através da caricatura: 1840-2006. p. 13. Internet:
http://memoria.bn.br.
Desde, pelo menos, inícios do século XIX, potências europeias, em especial a Grã-Bretanha, fazem pressão contra a escravidão negra no Brasil. Nem por isso, contudo, rompem relações com o império escravista. A charge aponta um contraditório d. Pedro II, tentando fazer-se aceito pelo mundo desenvolvido sem descartar a escravidão, e o cinismo das nações ditas civilizadas, que, na prática, legitimavam a Monarquia brasileira nessa condição.
Renato Lemos (org.). Uma história do Brasil através da caricatura: 1840-2006. p. 13.
Internet: http://memoria.bn.br.
Considerando as imagens e os textos precedentes, que trazem informações relativas ao período imperial brasileiro, julgue os itens a seguir.
I Observam-se, nas imagens e nos textos, duas das principais características do império brasileiro: o regime monárquico e a escravidão.
II As imagens e os comentários permitem aferir que o sistema escravista eram quem sustentava a sociedade brasileira da época.
III O processo de Independência do Brasil e a consolidação do regime monarquista, em aliança com a elite nacional da época, só foram possíveis devido à manutenção do sistema escravista.
IV As ditas nações civilizadas do século XIX, por mais que condenassem o regime escravista brasileiro, jamais romperam as relações com o Império do Brasil por esse motivo. Assinale a opção correta.