Texto 1 de 1
Leia o texto a seguir para responder às próximas três questões.
O professor Tirésias decidiu trabalhar com seus estudantes da 2ª Série do Ensino Médio a questão do preconceito linguístico. Para introduzir a questão, selecionou o seguinte texto:
“As pessoas sem instrução falam tudo errado”: trata-se de outra afirmação preconceituosa bastante difundida. O preconceito linguístico se baseia na crença de que só existe uma única língua portuguesa digna deste nome e que seria a língua ensinada nas escolas, explicada nas gramáticas e catalogada nos dicionários. Qualquer manifestação linguística que escape desse triângulo escola-gramática-dicionário é considerada, sob a ótica do preconceito linguístico, “errada, feia, estropiada, rudimentar, deficiente”, e não é raro a gente ouvir que “isso não é português”.
BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico. São Paulo: Parábola Editorial, 2015. Adaptado.
Em seguida à discussão proposta, para exemplificar o fato de que a norma-padrão não corresponde integralmente às variedades linguísticas de prestígio (ou seja, àquelas variedades faladas pelos chamados usuários cultos), o professor Tirésias selecionou a seção inicial do poema “Niani” de Machado de Assis:
Contam-se histórias antigas Pelas terras de além-mar, De moças e de princesas, Que amor fazia matar.
Mas amor que entranha n’alma E a vida soe acabar, Amor é de todo o clima, Bem como a luz, como o ar.
Morrem dele nas florestas Aonde habita o jaguar, Nas margens dos grandes rios Que levam troncos ao mar.
Agora direi um caso De muito penalizar, Tão triste como os que contam Pelas terras de além-mar.
ASSIS, Machado de. A poesia completa. São Paulo: Edusp/Nankin, 2009.
O trecho do poema que poderia ser utilizado por Tirésias para ilustrar a mencionada não correspondência integral entre norma-padrão e variedades linguísticas de prestígio seria: