Texto 1 de 1
Assisto em mim a um desdobrar de planos.
As mãos veem, os olhos ouvem, o cérebro se move, A luz desce das origens através dos tempos E caminha desde já Na frente dos meus sucessores.
Companheiro, Eu sou tu, sou membro do teu corpo e adubo de tua alma. Sou todos e sou um, Sou responsável pela lepra do leproso e pela órbita vazia do cego, Pelos gritos isolados que não entraram no coro.
Sou responsável pelas auroras que não se levantam E pela angústia que cresce dia a dia.
MENDES, Murilo. A poesia em pânico. In: MENDES, Murilo. Poesia Completa & Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
O poema de Murilo Mendes mostra a poesia como atividade humana marcada pelas ações de “desdobrar-se” e “responder por”. Assinale a alternativa que relaciona a forma do poema com essas ideias.