a frase A é ambígua, pois não está claro se a lista deve ser única ou se se trata de duas listas diferentes, como está indicado em B Texto: Adultização socialização, falta de empatia, problemas no processo de aprendizagem e atenção dispersa. Um modo de exploração de crianças na Embora a adultização seja um fenômeno internet gerou intenso debate no Brasil após antigo, ela ganhou uma nova dimensão com as viralização recente, nas redes sociais, de vídeo em redes sociais. Com cada vez mais acesso às telas que o influenciador Felipe Brassanim Pereira e à internet, as crianças passaram a ter contato abordou o tema. Trata-se da adultização, uma com muito conteúdo – e, muitas vezes, viraram aceleração forçada do desenvolvimento infantil, elas próprias criadoras e influenciadoras nas redes fazendo com que as crianças adotem sociais. Pesquisa recente, realizada pelo Centro comportamentos ou responsabilidades que não Regional de Estudos para o Desenvolvimento da correspondem à idade delas. Esse processo pode Sociedade da Informação, mostrou que 93% dos acontecer de várias formas: ao sobrecarregar a brasileiros entre 9 e 16 anos, ou seja, mais de 24 criança com tarefas de adulto, ao lhe impor uma milhões de crianças e adolescentes, são usuários cobrança excessiva sobre desempenho escolar ou da internet. Pesquisas científicas indicam que a esportivo, ao permitir que ela tenha acesso a constante exposição às redes sociais ativa o conteúdos inadequados para a idade. circuito de recompensa do cérebro e pode Guilherme Polanczyk, professor da provocar uma enxurrada de dopamina, Faculdade de Medicina da Universidade de São neurotransmissor ligado ao bem-estar. Esse Paulo, afirma que muitos pais têm a ideia de que mecanismo pode ser altamente viciante: a acelerar o desenvolvimento de uma criança pode dopamina gera o desejo de repetir a experiência, torná-la mais madura: “A gente vê isso em crianças com mais frequência e intensidade. muito pequenas, com um ano e meio, em que os O que fazer? Do ponto de vista coletivo, pais querem tirar fraldas. Muitas vezes, têm a vários projetos de lei sobre o assunto foram tendência de os pais ficarem orgulhosos quando apresentados nos últimos anos. Atualmente, o que os filhos eventualmente não querem mais brincar.” está mais avançado é o PL 2628, que já foi Mas, segundo o médico, pular etapas não é aprovado no Senado Federal e estabelece saudável: nosso cérebro evolui conforme nos deveres de cuidado das plataformas digitais com desenvolvemos – e, nos primeiros anos de vida, os mais jovens, a remoção de conteúdos que ainda não estamos preparados para lidar com violem os direitos dos menores de idade e a pressões, tarefas e algumas emoções. criação de mecanismos de controle parental. Um relatório do Comitê Interdepartamental “Nesse momento, existe um movimento sobre Deterioração Física, produzido pelo governo internacional de regulação das mídias, do que nós britânico em 1904, já alertava para os efeitos chamamos de big techs. (...)”, afirma Evelyn negativos desse processo. “Naquela época, o Eisenstein, coordenadora do Grupo de Trabalho fenômeno era muito preocupante por causa, por Saúde Digital da Sociedade Brasileira de Pediatria. exemplo, da primeira fase da industrialização, em Do ponto de vista individual, há uma série que havia crianças trabalhando, crianças de cuidados no que diz respeito ao pequenas que deveriam estar na escola, em compartilhamento de conteúdos envolvendo fornerias e metalúrgicas, em lugares insalubres”, crianças na internet, como evitar a exposição explica Anderson Nitsche, neuropediatra no excessiva nas redes sociais. Fotos e vídeos Hospital Pequeno Príncipe. Com o passar dos aparentemente inofensivos, por exemplo, podem anos, novos estudos revelaram que pessoas que acabar caindo em cadeias internacionais de são submetidas à adultização têm mais chance de pedofilia. Outra recomendação dos especialistas é sofrer de ansiedade, depressão, dificuldade de controlar o tempo de uso de celulares, tablets e smartphones das crianças. “Vai passear com seus filhos, em um local com natureza. Vai ver a borboletinha, vai ver a cor da flor. Deixa essa criança descobrir o mundo, fora das telas. O gatinho que ela vê na tela é bidimensional. O gatinho que pula ali no colo dela é tridimensional”, destaca Evelyn Eisenstein. ANDRÉ BIERNATH Adaptado de bbc.com, 15/08/2025.