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Mães
Mãe, mãe mesmo, só há duas: a mãe judia e a mãe italiana. Contam que o Giovanni anunciou para a mãe que ia se casar. Depois de reanimá-la e ajudá-la a se levantar do chão, deu o resto da notícia. A moça era judia.
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Dio! – gritou a mãe, estendendo as mãos para o alto como que pedindo para Deus vir buscá-la imediatamente. - Mama, você vai adorar ela.
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Eu vou ter que conhecer?!
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Claro, mama!
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Vá bene – disse a mãe, com um suspiro tão profundo que baixou o nível de oxigênio do quarteirão.
Combinaram que na noite seguinte o Giovanni traria a noiva para apresentá-la à mama, depois de participarem o noivado à família dela.
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Venham aqui primeiro – pediu a mama, com um mau pressentimento.
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Não, mama. Primeiro vamos na casa dela, anunciar o nosso casamento. Depois viremos pra cá.
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Vá bene – suspirou a mãe matando algumas plantas. No dia seguinte, a mama se ocupou de preparar a recepção para a noiva do Giovanni. Hesitou entre ter um enfarte e recebê-los à morte, anunciando que de onde estivesse abençoaria o casamento e usaria sua infl uência para tentar evitar que um raio interrompesse a cerimônia, e preparar alguma coisa para comerem. Optou pela comida, mas reforçou as olheiras. Prepararia uma ceia leve. Tagliateli. Rigatoni. Ravioli. Involtini. Talvez uma bela insalata...
Quando Giovanni e a noiva chegaram, encontraram a mama perfi lada atrás da mesa coberta de comida, como um general atrás das suas tropas. A moça elogiou a gentileza da futura sogra, elogiou os pratos e contou que, quando anunciara à sua mãe que ia se casar com um católico, ela correra para a cozinha e botara a cabeça no forno.
Ao que a mama arregalou os olhos e perguntou, afl ita com a perspectiva da falta de apetite do casal:
- E vocês comeram?!
(VERISSIMO, Luis Fernando.O melhor das comédias da vida privada. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.p. 226-227)
No início do texto, o fragmento “mãe, mãe mesmo, só há duas” quebra a expectativa do leitor, provocando o humor, em função: