Texto 1 de 1
Leia o texto para responder às questões de números 01 a 07.
Relações de desamor
Um dia, uma médica conversou com Leila sobre relacio namentos amorosos que não acabam, mas deixam de ser amorosos. A doutora disse que, após anos trabalhando em consultório, ainda não conseguia deixar de se espantar com o comportamento de alguns casais maduros. A mulher ia acom panhar o marido e, durante toda a consulta, demonstrava de forma clara o desprezo e o desamor que sentia pelo compa nheiro. Eram palavras ríspidas, comentários irônicos, ausência absoluta de qualquer gesto de companheirismo e afeto.
– Ele faz tudo errado! – diz uma das mulheres.
– Explica direito o que você está sentindo! – outra ordena ao marido.
A sensação que Leila tem é de que são mulheres que, de uma forma ou de outra, foram dominadas pelo marido ou traí das por ele. Enfim, mulheres que se decepcionaram profunda mente com o companheiro, mas decidiram levar o casamento adiante. E agora, porque o marido está mais envelhecido ou com a saúde frágil, precisando ou até mesmo dependendo delas, as mulheres dão o troco. Continuam com o companhei ro, mas se colocam numa posição superior e, sempre que pos sível, deixam claro: não sentem qualquer admiração ou respei to por aquela pessoa que está ali do seu lado.
Leila saiu do consultório pensando em casais que conhe cia com esse comportamento descrito pela médica, do quan to é constrangedor presenciar tais situações e como é melan cólico constatar que, às vezes, o que une duas pessoas que passaram uma vida juntas é o rancor. São casais que exerci tam diariamente a agressividade, o desrespeito e a amargu ra. Não só as mulheres, claro, são capazes desse exercício de desamor.
Infelizmente, a crueldade do ser humano é muito maior do que gostaríamos de supor, e as relações proporcionam oportunidades infinitas para magoar, humilhar ou arrasar o outro. O certo, quando o amor deixa de existir, seria separar -se, até para que novas histórias de amor pudessem nas cer, mas, acima de tudo, para evitar que tantas outras coisas essenciais sejam enterradas. Entre elas, a capacidade – difi cílima – de eventualmente perdoar.
(Leila Ferreira. Viver não dói. São Paulo: Globo, 2013. Adaptado)
Segundo o último parágrafo, é correto afirmar que