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VUNESP · 2020 · Prefeitura Municipal de Morro Agudo · Agente de Controle de Zoonoses

Questão 4 – Língua Portuguesa – VUNESP 2020 – Prefeitura Municipal de Morro Agudo (Agente de Controle de Zoonoses)

Texto 1 de 1

Leia o texto para responder às questões de números 01 a 07.

Relações de desamor

Um dia, uma médica conversou com Leila sobre relacio­ namentos amorosos que não acabam, mas deixam de ser amorosos. A doutora disse que, após anos trabalhando em consultório, ainda não conseguia deixar de se espantar com o comportamento de alguns casais maduros. A mulher ia acom­ panhar o marido e, durante toda a consulta, demonstrava de forma clara o desprezo e o desamor que sentia pelo compa­ nheiro. Eram palavras ríspidas, comentários irônicos, ausência absoluta de qualquer gesto de companheirismo e afeto.

– Ele faz tudo errado! – diz uma das mulheres.

– Explica direito o que você está sentindo! – outra ordena ao marido.

A sensação que Leila tem é de que são mulheres que, de uma forma ou de outra, foram dominadas pelo marido ou traí­ das por ele. Enfim, mulheres que se decepcionaram profunda­ mente com o companheiro, mas decidiram levar o casamento adiante. E agora, porque o marido está mais e­nvelhecido ou com a saúde frágil, precisando ou até mesmo dependendo d­elas, as mulheres dão o troco. Continuam com o companhei­ ro, mas se colocam numa posição superior e, sempre que pos­ sível, deixam claro: não sentem qualquer admiração ou respei­ to por aquela pessoa que está ali do seu lado.

Leila saiu do consultório pensando em casais que conhe­ cia com esse comportamento descrito pela médica, do quan­ to é constrangedor presenciar tais situações e como é melan­ cólico constatar que, às vezes, o que une duas pessoas que passaram uma vida juntas é o rancor. São casais que exerci­ tam diariamente a agressividade, o desrespeito e a amargu­ ra. Não só as mulheres, claro, são capazes desse exercício de desamor.

Infelizmente, a crueldade do ser humano é muito maior do que gostaríamos de supor, e as relações proporcionam oportunidades infinitas para magoar, humilhar ou arrasar o outro. O certo, quando o amor deixa de existir, seria separar­ -se, até para que novas histórias de amor pudessem nas­ cer, mas, acima de tudo, para evitar que tantas outras coisas e­ssenciais sejam enterradas. Entre elas, a capacidade – difi­ cílima – de eventualmente perdoar.

(Leila Ferreira. Viver não dói. São Paulo: Globo, 2013. Adaptado)

Na frase – Eram palavras ríspidas, comentários irôni­ cos… –, a palavra destacada pode ser substituída, sem alteração de sentido do texto original, por

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